Surgiu revigorado o sol,
Beijando e acariciando a vida,
No espaço em que deflorara a noite,
Possuindo-a, altaneiro, lentamente.
Vê: este sol não é o de ontem,
Há nele uma nova espécie de luz,
Um sêmen que doura, que floresce
E que encanta; tampouco será
O sol do possível amanhã,
Pálido, de outrora; doravante
Será um sol apaixonado,
Derramando,
Gota
A gota,
A sua ternura.
Seguir-se-ão os dias, e o sol se manterá
Primaveril, molhado ainda pelo esperma
Da derradeira noite solitária.
domingo, 3 de abril de 2011
quarta-feira, 30 de março de 2011
A manhã
Amor, famélico vou regendo a aurora,
Tecendo alvoradas com dedos indômitos,
Emancipando dores funestas, as quais
Fenecem em teu sorriso, em cuja força
Amanhece meu desejo.
Amor, sol reinante floresce nos teus beijos,
E no infinito, abruptamente, ressoa meu amor desmedido,
No infinito, miseravelmente, algo cresce e se desfaz,
No infinito, renasce algo ainda mais forte,
E então saio das cinzas como a fênix,
Levando-te nos braços, ou talvez na memória.
Beija-me, antes que o crepúsculo principie
E tu me vejas envolto em pesadelo e trevas.
Beija-me urgentemente, pois o resplendor
Matutino já se desvanece em prantos.
Tecendo alvoradas com dedos indômitos,
Emancipando dores funestas, as quais
Fenecem em teu sorriso, em cuja força
Amanhece meu desejo.
Amor, sol reinante floresce nos teus beijos,
E no infinito, abruptamente, ressoa meu amor desmedido,
No infinito, miseravelmente, algo cresce e se desfaz,
No infinito, renasce algo ainda mais forte,
E então saio das cinzas como a fênix,
Levando-te nos braços, ou talvez na memória.
Beija-me, antes que o crepúsculo principie
E tu me vejas envolto em pesadelo e trevas.
Beija-me urgentemente, pois o resplendor
Matutino já se desvanece em prantos.
terça-feira, 15 de março de 2011
Desta matéria viva
Não são de lágrimas os teus olhos,
Tampouco de alegria combatida:
São de oceano, cuja ambição única
É estender-se sob o sol,
Estabelecendo, assim, sua passagem
Perene, macrocosmicamente,
E efêmera, microcosmicamente,
Pelos tantos caminhos abortados,
Íngremes em sua vastidão.
Não é palpável a analogia desses olhos,
Em cuja reverberação se reflete a natureza:
Fixos, são duas luas triunfantes no colossal
Aspecto da fronte; móveis, esses olhos são
Duas aves famintas e irascíveis que percorrem
Territórios inexplorados, e deflagram
Zonas pacíficas, e produzem as intempéries.
E assim se formam, amor, teus olhos de oceano.
Tampouco de alegria combatida:
São de oceano, cuja ambição única
É estender-se sob o sol,
Estabelecendo, assim, sua passagem
Perene, macrocosmicamente,
E efêmera, microcosmicamente,
Pelos tantos caminhos abortados,
Íngremes em sua vastidão.
Não é palpável a analogia desses olhos,
Em cuja reverberação se reflete a natureza:
Fixos, são duas luas triunfantes no colossal
Aspecto da fronte; móveis, esses olhos são
Duas aves famintas e irascíveis que percorrem
Territórios inexplorados, e deflagram
Zonas pacíficas, e produzem as intempéries.
E assim se formam, amor, teus olhos de oceano.
terça-feira, 1 de março de 2011
Este planeta
Não apenas identificando estrelas,
Não somente imitando o aspecto
Grave da lua, mas também recriando o universo
À tua semelhança, iracundo como o vento,
Empreendi jornadas incríveis que resultaram
Em intermitentes labores:
As constelações eram teus olhos,
Era o teu ventre a imensidão do céu,
Os teus seios rijos eram dois pássaros
Que sobrevoam por este azul interminável;
A tua genitália era a lua, em cujos mistérios
Penetro para louvar nesta poesia;
Os raios solares eram teus cabelos,
Auríferas substâncias que douram
Os seres e que se renovam a cada olhar.
Sou devoto do mundo e, portanto, amo-te
Sem início nem fim nem paradeiro,
Indiferente às distâncias e ao tempo,
Pois, sendo universo para mim,
És plena como o ar, invadindo-me o pulmão
E o coração e adjacências com teu amor ubíquo.
Não somente imitando o aspecto
Grave da lua, mas também recriando o universo
À tua semelhança, iracundo como o vento,
Empreendi jornadas incríveis que resultaram
Em intermitentes labores:
As constelações eram teus olhos,
Era o teu ventre a imensidão do céu,
Os teus seios rijos eram dois pássaros
Que sobrevoam por este azul interminável;
A tua genitália era a lua, em cujos mistérios
Penetro para louvar nesta poesia;
Os raios solares eram teus cabelos,
Auríferas substâncias que douram
Os seres e que se renovam a cada olhar.
Sou devoto do mundo e, portanto, amo-te
Sem início nem fim nem paradeiro,
Indiferente às distâncias e ao tempo,
Pois, sendo universo para mim,
És plena como o ar, invadindo-me o pulmão
E o coração e adjacências com teu amor ubíquo.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Araguaia
Sobre o manto do teu silêncio,
Araguaia, uma voz bradou:
Pão, terra, liberdade!
E as vozes tirânicas responderam
Com terror, sangue e morte
À luta que então florescia
No seio do teu solo acolhedor, Araguaia.
Quantas vozes falam
Por teu vento uivante, quantos gemidos
De dor se calaram em teus crepúsculos!
Dá-me uma memória, Araguaia,
E que nela esteja a paz de estar lutando.
Araguaia, tão férteis são tuas terras
Que o sangue vertido germinou,
E corre através de minhas veias,
Para invocar tua memória,
Para eternizá-la junto aos meus companheiros.
E os que se embrenharam na mata,
Os meus camaradas, levavam consigo não mais
Que uma bandeira rubra em seus corações.
Levai esta certeza aos vossos túmulos
Inexistentes, corações insepultos:
Nossa luta renasce em vossa morte.
Araguaia, és a minha bandeira!
Araguaia, uma voz bradou:
Pão, terra, liberdade!
E as vozes tirânicas responderam
Com terror, sangue e morte
À luta que então florescia
No seio do teu solo acolhedor, Araguaia.
Quantas vozes falam
Por teu vento uivante, quantos gemidos
De dor se calaram em teus crepúsculos!
Dá-me uma memória, Araguaia,
E que nela esteja a paz de estar lutando.
Araguaia, tão férteis são tuas terras
Que o sangue vertido germinou,
E corre através de minhas veias,
Para invocar tua memória,
Para eternizá-la junto aos meus companheiros.
E os que se embrenharam na mata,
Os meus camaradas, levavam consigo não mais
Que uma bandeira rubra em seus corações.
Levai esta certeza aos vossos túmulos
Inexistentes, corações insepultos:
Nossa luta renasce em vossa morte.
Araguaia, és a minha bandeira!
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Integração
Soaram as horas da insônia,
E no beijo que a lua derrama
Sobre o mundo noturno, senti que chegaste,
Tenaz como feixe de luz.
Tua presença tornou-se indissolúvel,
Teu aroma e teu bálsamo acolheram
Minhas lamúrias, e nas lágrimas
De outrora teu riso límpido desenhou
Meu novo semblante.
Imediatamente o ar balbuciou teu nome,
O mesmo ar que se respira tornou-se
Alimento: e respirei-te, e ingeri-te,
E influí-te, amei-te.
Amo-te porque me insuflas,
E por amar-te defloro o contentamento,
Bem como o regozijo errante que se abrigou
No teu ventre, cuja beleza indizível
Manifesta-se na atmosfera.
E no beijo que a lua derrama
Sobre o mundo noturno, senti que chegaste,
Tenaz como feixe de luz.
Tua presença tornou-se indissolúvel,
Teu aroma e teu bálsamo acolheram
Minhas lamúrias, e nas lágrimas
De outrora teu riso límpido desenhou
Meu novo semblante.
Imediatamente o ar balbuciou teu nome,
O mesmo ar que se respira tornou-se
Alimento: e respirei-te, e ingeri-te,
E influí-te, amei-te.
Amo-te porque me insuflas,
E por amar-te defloro o contentamento,
Bem como o regozijo errante que se abrigou
No teu ventre, cuja beleza indizível
Manifesta-se na atmosfera.
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