terça-feira, 12 de julho de 2011

Viver perene

Quero-te tanto e meu amor
Não é eterno. E, no entanto,
Amando-te sempre e tanto,
Para onde irá o amor que canto,
Que outrora fora pranto,
Quando não mais fecundar
Cada gota de meu sangue?

Não posso amar-te eternamente.
Não devo permitir que o tempo
Tenha mais força que este amor.
E no entanto amo-te tanto, amada,
Amo-te a ti quanto a mais nada,
E, sem este amor, como há de a vida seguir?

Pois que se este amor não é eterno
E uma vez findo, como seguirei sorrindo,
Como seguirei, como?
Todavia, ainda que não te ame como um dia,
Seguirei te amando ainda mais a partir de então.

domingo, 10 de julho de 2011

Estrelas análogas

E então, também seria o sol
Reverberação dos teus olhos,
O que há de mais cálido, essa
Majestade cosmopolita?
Seriam teus olhos gigantes dois
Planetas à parte das guerras, à parte
Da miséria, da mais-valia, fortaleza
Deste amor e nada além?

O que se esconde em teu olhar,
Que palavras nascidas em teu peito
Tornam-se silêncio? Que força é essa
Em teus olhos, capaz de calar,
Que causa espanto, posto que é sublime?

Tudo quanto há em tua fronte,
Teus cabelos como as asas
De um pássaro livre, teus lábios
Esculpidos em fogo, teu nariz
Que comunica com o ar o tempo
Inexorável, tudo, enfim, caminha me fazendo
Caminhar e explorar as terras de um amor
Perene e desbravado
Milimetricamente.

Para ser sincero comigo

Ontem, tarde da noite, quando as ruas se encontram vazias, eu chorei. Chorei porque estava numa dessas ruas vazias, longe da minha casa, sem companhia, só com algumas lembranças, uma dor no peito e umas conclusões. Enfiei as mãos nos bolsos, nem o cigarro estava comigo, chorei ainda mais. Preciso fazer algumas colocações.
Para começar, o carinho desmedido que deposito nas pessoas é em função de um relacionamento passado, que quase acabou comigo e, até hoje, me deixa frustrado. Como fui mesquinho, como fui infantil! Hoje sou o oposto. Busco entender as pessoas e por isso, talvez, as mulheres enxergam em mim qualquer fonte de consolo, de compreensão, de visão não-machista das coisas. É por isso que digo a todas que vão: vocês nunca encontrarão alguém como eu, com a minha história e com o meu querer.
Outra verdade é que nunca dei sorte no amor. Uma verdade mais inexorável ainda é que sempre o buscarei. Para isso caminho.
Estou em débito. Não, não estou devendo nada a ninguém. Estou devendo a mim. Sempre ultrapasso meu limite, oferto mais do que posso, não sou recompensado como acho que deveria. Mas também não mudarei isso. É a minha principal característica, é o meu diferencial, só aceito o amor se for visceral.
E disse Che Guevara: “Derrota após derrota até a vitória final.”

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Amanhã

Amanhã, quando eu acordar, vou olhar mais uma vez o sol pela janela. Se estiver chovendo, contemplarei a chuva com o mesmo prazer. Vou beijar a face da minha mãe, desejar-lhe bom dia, dizer palavras de camaradagem ao meu irmão. Não vou lamentar pela morte do meu pai, isso eu sempre faço. Vou, pelo contrário, agradecer-lhe por ser a pessoa que me guia até hoje, pois meu maior medo é morrer sem lhe dar um motivo de orgulho. Você vai se orgulhar de mim, pai!
Amanhã de manhã eu vou sorrir, depois de um longo período sem encontrar motivo para realizar tal ação. Vou consultar meus livros, vasculhar página por página, até encontrar quem se levantou depois de uma dura queda. Fugirei alucinadamente de personagens como Werther, ou Florentino Ariza. Vou anotar numa folha de papel palavras de amigos, de quem caminha de fato junto de mim, e vou carregar para sempre essas palavras como um escudo a tudo que possa me fazer mal, contra qualquer infortúnio ou percalço da vida. Eu tenho amigos que projetam em mim qualquer esperança, não posso decepcioná-los. Hoje eu posso dizer: faço tudo pelos amigos que restaram, que não desistiram de mim.
Amanhã eu tentarei ser o que era antes. Um rapaz sorridente, otimista, disposto a enfrentar dificuldades de qualquer grandeza. Tentarei ser o Felipe comovido e comovente de sempre. Eu sei que posso, eu sempre fui assim. Vou escolher um amigo aleatoriamente e perguntar-lhe se faço alguma diferença em sua vida, se ele daria a sua para salvar a minha. Tenho sido relapso em alguns aspectos, mas pretendo melhorar a partir de amanhã. Não vou pedir desculpa. Mostrarei que o simples recomeço floresce no coração de todos os envolvidos.
Amanhã eu deixarei de dar tanto valor a quem não merece, a quem não me estendeu a mão quando precisei. Não é vingança, é apenas uma constatação: amigo é quem me constrói. Amanhã ligarei para todos os camaradas do Partido, os que acordam cedo na chuva e militam comigo, os camaradas com os quais compartilho os mesmos ideais, os que sentem comigo a beleza do nosso povo. Vou me dedicar mais ao Movimento Estudantil, levar o CUCA da UNE para a UERJ, implantar lá os núcleos de combate à intolerância, estou cheio de ideias legais para o próximo semestre.
Amanhã refletirei bastante, chegarei à conclusão do motivo pelo qual fui um merda nesses dias, para que assim possa evitar de ser novamente. Acho que sei como fazer.
Amanhã viverei a poesia mais uma vez, porque, para mim, ela não é apenas a produção. Poesia é sentir, é fazer uma troca com o meio e, dessa forma, a produção é uma culminância. Ser poeta é transformar tudo em poesia dentro da alma. Esse é o ofício. Amanhã realizarei.

O combate imprescindível

De silêncio em silêncio deixei
Florir o meu bramido,
Fiz renascer o momento no qual
O vazio foi soberano,
Combati o vácuo com tudo
De que dispunha, e a poesia
Que evola das coisas constantemente,
Juntei-a às flores de minhas mãos,
E investimos impetuosamente contra
A ausência.

Garimpar as palavras do silêncio
- e também de um poema -
É, de fato, árduo ofício.
As palavras escapam,
Só resta o desejo de escavar
A alma, perscrutar o âmago,
Tornar o momento fértil,
E por meio dele edificar as vozes
Que vão desaguar no coração.

Tudo isto só para dizer, ainda
Uma vez: só o amor, amada, paga a pena
Desta vida.



Esse poema já foi publicado. Postei mais uma vez porque preciso senti-lo gritar mais uma vez dentro de mim.

terça-feira, 5 de julho de 2011

O verde

Não consumirá jamais este amor que me alimenta.
Porém, como chama que é, consumirá, queimará,
Consumirás, queimarás cada fluido de sangue
Que me dá vida. Porque antes de tudo és vida.

Como força sobrenatural, uma luz me envolve.
Repilo. Não me toca nada senão teu olhar!
Não me abraça harmonia alguma, felicidade alguma
Que não me seja oferecida por tuas mãos.
E isso é tudo.

Agora,
Meu
Amor,
Nada
Dirá
Adeus.

Nada dirá adeus, pois os teus olhos são
O princípio de tudo. Antes de ti, nada havia
Senão dois olhos que já te esperavam,
E a Criação pôde enfim realizar seu trabalho.
Trabalho este que tu iniciaste, quando deste
Vida ao sol e a mim.