João,
Quantas dores passaram
Por teu nome,
Quantas esperanças perpassam ainda!
Nas adversidades, quando o povo
Não vislumbrava aurora,
O teu nome ressurgiu
Do seio dos sindicatos,
Da mata fechada e redentora do Araguaia,
Dos comitês partidários,
Das ruas ensangüentadas, e no discurso
Veemente contra as injustiças,
A tua voz se fez límpida,
Como a manhã do povo que tu sonharas.
O teu nome, João Amazonas, é fogo
Contra a indiferença, é ameaça
Ao neoliberalismo,
É inimigo ferrenho da burguesia,
O teu nome,
João Amazonas,
É a força e a viabilização do sonho.
João, quando empunhaste o fuzil,
Via-se em teus olhos a alegria que te causava
A luta mortal. Por isso, não te abateste,
Tampouco te deixaste abater
Em conflito desigual:
Reorganizaste o instrumento
De emancipação do Proletariado,
Com olhos despidos de maldade
E de medo, e no entanto ainda
Com maior paixão revolucionária.
E desde então
O futuro pode ser construído
Pelas mãos do povo,
Estas mesmas mãos que te saúdam,
Camarada!
sábado, 15 de outubro de 2011
domingo, 25 de setembro de 2011
A vida sorri
Ai, amor, cada lágrima
Que desce por teu rosto,
Ai, cada lágrima que sai
De teu peito
Deságua
No meu,
Como um rio que, fustigado
Pela vida, desenvolve seu lamento,
E geme: portanto, amada,
Quando gotejar friamente
O teu coração, ai, quando chorares,
Entrega-me as tuas dores,
Que, em minhas mãos, elas se tornarão
Potentes júbilos, e feliz caminharás
Comigo, edificador de um rio
Que corre destemido
Para lavar as desventuras
De tua vida,
Que também são minhas.
Que desce por teu rosto,
Ai, cada lágrima que sai
De teu peito
Deságua
No meu,
Como um rio que, fustigado
Pela vida, desenvolve seu lamento,
E geme: portanto, amada,
Quando gotejar friamente
O teu coração, ai, quando chorares,
Entrega-me as tuas dores,
Que, em minhas mãos, elas se tornarão
Potentes júbilos, e feliz caminharás
Comigo, edificador de um rio
Que corre destemido
Para lavar as desventuras
De tua vida,
Que também são minhas.
sábado, 3 de setembro de 2011
Tu, que já não me amas
Tu, que já não me amas,
Nunca foste sangrada,
Porém já foste beijada
Pela boca que desdenha.
Tu, que já não me amas,
Carregarás todo um exército
De paixões, que, acumuladas,
Não me superarão, no entanto.
Tu, que já não me amas,
Não chorarás jamais:
Nem um dos teus,
Após o adeus,
Depositará ternura em tua saudade.
Tu, que já não me amas,
Amarás, sim, amarás:
Amarás com tanta intensidade
O que já amaste um dia,
A vida, a força, a poesia,
Que de mim transmigraram
Somente para ti.
Tu, que já não me amas mais,
Doravante, de que te alimentarás?
Porém, se ainda puderes amar,
Ama em ti a dor pungente
De minha lembrança.
Tu já não me amas e não amas,
E eu não te amo, portanto...
Tu, que já não me amas,
Verás a noite correr,
Sem que amanheça a tua vida.
Nunca foste sangrada,
Porém já foste beijada
Pela boca que desdenha.
Tu, que já não me amas,
Carregarás todo um exército
De paixões, que, acumuladas,
Não me superarão, no entanto.
Tu, que já não me amas,
Não chorarás jamais:
Nem um dos teus,
Após o adeus,
Depositará ternura em tua saudade.
Tu, que já não me amas,
Amarás, sim, amarás:
Amarás com tanta intensidade
O que já amaste um dia,
A vida, a força, a poesia,
Que de mim transmigraram
Somente para ti.
Tu, que já não me amas mais,
Doravante, de que te alimentarás?
Porém, se ainda puderes amar,
Ama em ti a dor pungente
De minha lembrança.
Tu já não me amas e não amas,
E eu não te amo, portanto...
Tu, que já não me amas,
Verás a noite correr,
Sem que amanheça a tua vida.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Poema escrito na virilha da mulher da noite passada
A rosa de minha concupiscência
Precipitou-se sobre o teu corpo
Despido, bem como os teus olhos
Desnudos, impávidos,
Flor do mundo.
Minhas mãos, em formato de seios,
Abrigam, enrijecem os dons palpáveis
De tua soberania e, fortalecido,
Levo-os aos lábios, sedento, e redivivo
Labuto neste magno ofício,
Nesta excelsa infinitude de bens.
Por entre as tuas pernas percorre
Um arrepio, um suspiro corta a noite
Já tão distante e alheia, e em meio
A tanto movimento, o derradeiro
Ato: as estrelas se desmancham
Em líquido provindo das entranhas
Compartilhadas do desejo.
Precipitou-se sobre o teu corpo
Despido, bem como os teus olhos
Desnudos, impávidos,
Flor do mundo.
Minhas mãos, em formato de seios,
Abrigam, enrijecem os dons palpáveis
De tua soberania e, fortalecido,
Levo-os aos lábios, sedento, e redivivo
Labuto neste magno ofício,
Nesta excelsa infinitude de bens.
Por entre as tuas pernas percorre
Um arrepio, um suspiro corta a noite
Já tão distante e alheia, e em meio
A tanto movimento, o derradeiro
Ato: as estrelas se desmancham
Em líquido provindo das entranhas
Compartilhadas do desejo.
domingo, 14 de agosto de 2011
Concessões
Se de júbilo, ao invés de ausência,
O infinito se compusesse,
Ao invés de guerras, acrescida de fome, ou se
O capital
Cobrisse o desespero, o desemprego,
O tráfico, a solidão, talvez nossas
Crianças não chorassem
Sangue.
Se o capitalismo
Tacanho
Lançasse suas garras, e, logo em seguida,
Fosse lançado
Para longe,
Triunfaria, neste dia, a poesia,
Escrita pelas mãos de nossas crianças,
Que, entretanto, não a vislumbram,
Tampouco ao futuro, devido
Aos olhos embaçados pelo ópio
- ou pela miséria -
Que cotidianamente lhes são impostos,
Olhos injetados
De lágrimas
De sangue.
Impostos
- porque sentir fome não é direito de ninguém,
Portanto, há de se pagar preços exorbitantes
Pela miséria:
Um preço pago amiúde
Pelo sangue
derramado
do nosso
Amanhã.
O infinito se compusesse,
Ao invés de guerras, acrescida de fome, ou se
O capital
Cobrisse o desespero, o desemprego,
O tráfico, a solidão, talvez nossas
Crianças não chorassem
Sangue.
Se o capitalismo
Tacanho
Lançasse suas garras, e, logo em seguida,
Fosse lançado
Para longe,
Triunfaria, neste dia, a poesia,
Escrita pelas mãos de nossas crianças,
Que, entretanto, não a vislumbram,
Tampouco ao futuro, devido
Aos olhos embaçados pelo ópio
- ou pela miséria -
Que cotidianamente lhes são impostos,
Olhos injetados
De lágrimas
De sangue.
Impostos
- porque sentir fome não é direito de ninguém,
Portanto, há de se pagar preços exorbitantes
Pela miséria:
Um preço pago amiúde
Pelo sangue
derramado
do nosso
Amanhã.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Das ininterrupções
Ergo sobre a cabeça dolente
A marca dos teus olhos, como um estandarte,
E avanço, bravio, pelas horas da noite,
E avanço, bravio, a chamar-te.
Fulgem, como duas estrelas errantes,
Teus olhos repletos de meandros
Da beleza cristalina, negros da noite,
Teus olhos, sim, estrelados,
Teus olhos, não, mas tu,
Teus olhos, talvez, tão distantes,
Porém tão próximos, arraigados,
Florescidos nos meus, na busca
Incessante,
Inevitável,
Pois também toda lua
É deflorada por uma
Renovada
Manhã.
A marca dos teus olhos, como um estandarte,
E avanço, bravio, pelas horas da noite,
E avanço, bravio, a chamar-te.
Fulgem, como duas estrelas errantes,
Teus olhos repletos de meandros
Da beleza cristalina, negros da noite,
Teus olhos, sim, estrelados,
Teus olhos, não, mas tu,
Teus olhos, talvez, tão distantes,
Porém tão próximos, arraigados,
Florescidos nos meus, na busca
Incessante,
Inevitável,
Pois também toda lua
É deflorada por uma
Renovada
Manhã.
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