Não endereço esta carta às mulheres que usufruíram do que tenho de bom, em troca de um sexo bem feito, sem maiores perspectivas. Dirijo-me àquelas que amei e que me amaram, do fundo do coração, e que projetaram algum futuro comigo.
Primeiramente, gostaria de dizer que todas vocês são muito especiais. Enquanto durou o amor, – e em alguns casos mesmo depois – vocês me proporcionaram o melhor que tinham e, enquanto isso, fui barganhando muita coisa, para não ficar em débito com os corações que me ofertaram sentimentos sinceros. O fato de todas vocês serem especiais não lhes tira o mérito, tampouco me dá a qualidade de cafajeste. Vocês são especiais porque me amaram, e, para mim, não há nobreza maior do que essa.
Vejo outro problema muito sério: algumas de vocês confundiram admiração com amor. Admiração pelo simples fato de não ser eu um cara machista, como muitos outros, subordinados pela sociedade patriarcal. O fato é: todas as vezes em que fui um fiel ouvinte, – mesmo das suas históricas eróticas – eu estava apenas respeitando uma qualidade inerente a mim. Não tive como objetivo central seduzi-las ou impressioná-las, apenas quis estender uma mão amiga, despida de intenções ocultas. O que se seguia, então, era uma série de acontecimentos que eu não previa.
Acho que eu voltaria atrás e faria tudo outra vez. Quando lembro das vezes em que o sexo era consequência de uma intimidade conquistada árdua e gradativamente, ou dos momentos em que um sorriso encobria uma nuvem de melancolia, eu vejo que tudo estava em seu devido lugar. Se alguma atitude ou palavra pareceu inconveniente, também a culpa é da ocasião, que exigiu tais atos. Eu não sei lidar com o silêncio.
Outra coisa é que eu ainda amo vocês, todas vocês. Cada uma faz parte da minha história, e negá-las seria como negar a mim mesmo. O que eu sou hoje é fruto do que fui no passado, e quando eu estava com qualquer uma de vocês, eu não fui sozinho, eu me doei e depositei o que tinha de melhor em suas vidas. Portanto, as relações mútuas de amor devem permanecer no peito, ocupando lugar de destaque, sem impedir novas oportunidades.
Sim, novas oportunidades surgirão, novos amores brotarão no meu peito. Assim como vocês, que hoje amam outras pessoas, fazem planos com outras pessoas. O que eu sei é que nenhuma que realmente me amou poderá me esquecer um dia, mesmo que divirja de tudo que eu disse acima. E a razão pela qual isso acontece é justamente a minha forma de amar desmedidamente, por vezes me violentando para cumprir um simples anseio de vocês.
Eu tenho muitos defeitos, e o maior deles é ter tanto medo da solidão. Isso me torna vulnerável e às vezes falacioso, ainda que inconscientemente. E sempre que enganei alguém, logo em seguida empreendi um esforço imensurável para transformar em verdade absoluta.
Enfim, tenho sido um ser desprezível. Não me liguem mais.
sábado, 17 de dezembro de 2011
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Sobre todas as coisas
Sobre a noite de um negro profundo,
Ainda mais negra em meu peito,
Lançarei meu pensamento
Pelas ruas vazias de tua presença,
Bem como agora me encontro.
Amei o teu silêncio,
Porém as palavras que decolavam
De teus lábios bem-amados
E pousavam em meu coração
Eram, para mim, o despontar
De uma primavera
Após a intempérie.
E o teu riso, fio cristalino
Em tua fronte adorada,
Era um novo mundo a ser desbravado,
Como os teus seios que me remetem
Aos pampas de minha América.
Talvez cem astros se cruzem
Neste céu, nesta noite,
E sob eles levantarei,
Vitorioso, o teu estandarte.
Ainda mais negra em meu peito,
Lançarei meu pensamento
Pelas ruas vazias de tua presença,
Bem como agora me encontro.
Amei o teu silêncio,
Porém as palavras que decolavam
De teus lábios bem-amados
E pousavam em meu coração
Eram, para mim, o despontar
De uma primavera
Após a intempérie.
E o teu riso, fio cristalino
Em tua fronte adorada,
Era um novo mundo a ser desbravado,
Como os teus seios que me remetem
Aos pampas de minha América.
Talvez cem astros se cruzem
Neste céu, nesta noite,
E sob eles levantarei,
Vitorioso, o teu estandarte.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Condenado
Os grilhões que são teus lábios,
Em meu corpo,
Condenam-me ao martírio
De amar o algoz.
Condenado, então,
Vejo uma flor desabrochar na noite,
E ela não é senão a paloma
Desenhada no teu ventre.
Eu,
Condenado,
Suplico
A ti que tanto
Amo:
Prenda-me, amor,
Por toda a minha vida
Em teu paraíso,
Escraviza-me, flor do mundo.
Em meu corpo,
Condenam-me ao martírio
De amar o algoz.
Condenado, então,
Vejo uma flor desabrochar na noite,
E ela não é senão a paloma
Desenhada no teu ventre.
Eu,
Condenado,
Suplico
A ti que tanto
Amo:
Prenda-me, amor,
Por toda a minha vida
Em teu paraíso,
Escraviza-me, flor do mundo.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
A minha estrela
À estrela que não foi contemplada,
Àquela que, pálida, esconde-se
Dentre as nuvens, a ela declamarei
Meus versos.
Ó estrelas, vós outras que já servistes
Para alumiar a mente doutros poetas,
Calai-vos: esta noite
Apenas eu,
Minha cálida amante,
E aquela triste estrela que ainda não brilha,
Somente nós seremos testemunhas
Do maior dos amores da Terra.
Ó estrela, esta a qual posso tocar,
Essa límpida luz que dos teus olhos
Parte para iluminar o mundo,
Com terrestre magnitude,
Não é o bastante para irradiar
Toda a alegria pulsante em meu peito
Já tão flagelado.
Portanto, minha doce estrela pequenina,
Não esmoreças teu brilho jamais,
Porque então a noite se quedaria
Frágil e apagada
Na absoluta treva do inexorável amanhã.
Àquela que, pálida, esconde-se
Dentre as nuvens, a ela declamarei
Meus versos.
Ó estrelas, vós outras que já servistes
Para alumiar a mente doutros poetas,
Calai-vos: esta noite
Apenas eu,
Minha cálida amante,
E aquela triste estrela que ainda não brilha,
Somente nós seremos testemunhas
Do maior dos amores da Terra.
Ó estrela, esta a qual posso tocar,
Essa límpida luz que dos teus olhos
Parte para iluminar o mundo,
Com terrestre magnitude,
Não é o bastante para irradiar
Toda a alegria pulsante em meu peito
Já tão flagelado.
Portanto, minha doce estrela pequenina,
Não esmoreças teu brilho jamais,
Porque então a noite se quedaria
Frágil e apagada
Na absoluta treva do inexorável amanhã.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Meu grito
Sob a tua sombra,
Depositarei beijos
Que reverberarão em teus
Sonhos, e então tuas noites
Terão a luz incandescente do meu amor.
Recordarás, portanto, que quando
O vento sopra, não é lida vã do universo:
O sopro do vento é uma extensão
Do meu amor, a fim de espalhar,
Como um grito louco, o que meus olhos
Já te disseram: amor, te amo, te quero,
Agora tão mais do que antes.
E se eu queimar, com lábios sedentos,
A tua boca, é para que saibas que este amor
É fogo, para que doravante não sintas frio
Nem solidão, jamais!
E, ainda, se a tempestade resolver
Desabar, tu deves sorrir,
Para que assim, amor,
O sol se duplique
E prevaleça.
Depositarei beijos
Que reverberarão em teus
Sonhos, e então tuas noites
Terão a luz incandescente do meu amor.
Recordarás, portanto, que quando
O vento sopra, não é lida vã do universo:
O sopro do vento é uma extensão
Do meu amor, a fim de espalhar,
Como um grito louco, o que meus olhos
Já te disseram: amor, te amo, te quero,
Agora tão mais do que antes.
E se eu queimar, com lábios sedentos,
A tua boca, é para que saibas que este amor
É fogo, para que doravante não sintas frio
Nem solidão, jamais!
E, ainda, se a tempestade resolver
Desabar, tu deves sorrir,
Para que assim, amor,
O sol se duplique
E prevaleça.
sábado, 15 de outubro de 2011
João Amazonas
João,
Quantas dores passaram
Por teu nome,
Quantas esperanças perpassam ainda!
Nas adversidades, quando o povo
Não vislumbrava aurora,
O teu nome ressurgiu
Do seio dos sindicatos,
Da mata fechada e redentora do Araguaia,
Dos comitês partidários,
Das ruas ensangüentadas, e no discurso
Veemente contra as injustiças,
A tua voz se fez límpida,
Como a manhã do povo que tu sonharas.
O teu nome, João Amazonas, é fogo
Contra a indiferença, é ameaça
Ao neoliberalismo,
É inimigo ferrenho da burguesia,
O teu nome,
João Amazonas,
É a força e a viabilização do sonho.
João, quando empunhaste o fuzil,
Via-se em teus olhos a alegria que te causava
A luta mortal. Por isso, não te abateste,
Tampouco te deixaste abater
Em conflito desigual:
Reorganizaste o instrumento
De emancipação do Proletariado,
Com olhos despidos de maldade
E de medo, e no entanto ainda
Com maior paixão revolucionária.
E desde então
O futuro pode ser construído
Pelas mãos do povo,
Estas mesmas mãos que te saúdam,
Camarada!
Quantas dores passaram
Por teu nome,
Quantas esperanças perpassam ainda!
Nas adversidades, quando o povo
Não vislumbrava aurora,
O teu nome ressurgiu
Do seio dos sindicatos,
Da mata fechada e redentora do Araguaia,
Dos comitês partidários,
Das ruas ensangüentadas, e no discurso
Veemente contra as injustiças,
A tua voz se fez límpida,
Como a manhã do povo que tu sonharas.
O teu nome, João Amazonas, é fogo
Contra a indiferença, é ameaça
Ao neoliberalismo,
É inimigo ferrenho da burguesia,
O teu nome,
João Amazonas,
É a força e a viabilização do sonho.
João, quando empunhaste o fuzil,
Via-se em teus olhos a alegria que te causava
A luta mortal. Por isso, não te abateste,
Tampouco te deixaste abater
Em conflito desigual:
Reorganizaste o instrumento
De emancipação do Proletariado,
Com olhos despidos de maldade
E de medo, e no entanto ainda
Com maior paixão revolucionária.
E desde então
O futuro pode ser construído
Pelas mãos do povo,
Estas mesmas mãos que te saúdam,
Camarada!
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