domingo, 6 de maio de 2012
Conclusões
Hoje percebi que seus olhos brilharam mais do que de costume, enquanto eu falava do seu corpo despido, que mais parecia um poema. Às vezes penso que a vida poderia parar em momentos assim, embora saiba que o futuro diverge. Há muito a ser feito, por mim, por nós, por todos. Vi isso no brilho dos seus olhos, vejo isso quando penso no futuro.
sábado, 21 de abril de 2012
Crisálida
Se deteve então
Como se ali estancasse
Todo o movimento.
Porque nas ruas
Manchadas com o lodo
Do sangue do homem
Do povo do país incrédulo
Do mundo do futuro
Uma flor nasceu
Como num beijo.
E assim nasceu o amor,
Vencendo, lutando, como a América,
Todo esse frio.
Como se ali estancasse
Todo o movimento.
Porque nas ruas
Manchadas com o lodo
Do sangue do homem
Do povo do país incrédulo
Do mundo do futuro
Uma flor nasceu
Como num beijo.
E assim nasceu o amor,
Vencendo, lutando, como a América,
Todo esse frio.
Notas
Eu sou um homem livre, e gosto de te ver livre nesse mundo injusto. Gosto também da sua poesia, da sua arte, da sua fotografia, da sua representação e da maneira como você consegue, melhor que ninguém, integrar tudo isso com a vida. Adorei ver você fumando e citando Nietzsche, filósofo que nunca apreciei: “E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música.” Não vou dizer que estou apaixonado, embora isso seja óbvio e inevitável. Agora, não diz que está apaixonada também, porque então corro o risco de te oferecer o que há de mais bonito no mundo todo, num poema ou num olhar.
sábado, 7 de abril de 2012
PNE da UNE: novas perspectivas
O Brasil faz parte, hoje, das principais economias do mundo. Estudos apontam que, ainda nesta década, o país se tornará a quinta maior economia mundial, superando a Inglaterra. No entanto, dados da UNESCO revelam que o país encontra-se no octogésimo oitavo lugar no ranking de educação; é um país que não apresenta nem uma universidade sequer na relação das duzentas melhores universidades do mundo. É um país que, não obstante o desenvolvimento que vem se dando desde 2003, iniciando um novo ciclo histórico, ainda tem 14 milhões de analfabetos. É um país que não consegue fazer com que nem 50% das pessoas que iniciam o ensino médio possam concluí-lo. Além disso, segundo o IBGE, apenas 14% dos jovens brasileiros, de 18 a 29 anos, estão na universidade. Pior: apenas 3% da juventude tem acesso à universidade pública. Ou seja: o Brasil é um país que tem enormes possibilidades econômicas, e não consegue transformá-las em oportunidades para a juventude.
Está em curso, no Congresso Nacional, uma discussão que vem gerando muita polêmica entre Governo e Movimento Estudantil: o Plano Nacional de Educação, o PNE, que estipula as metas e as estratégias para a educação por um período de dez anos. A União Nacional dos Estudantes (UNE), desde sua fundação, protagonizou os principais momentos políticos de nossa história. E agora não é diferente. A UNE, junto com a UBES – que representa os estudantes secundaristas – e a ANPG – que representa os estudantes pós-graduandos – apresentou nada menos que 59 emendas ao PNE, mantendo-se fiel à sua tradição de interferir nesse tipo de debate. O PNE é discutido de dez em dez anos. O último foi em 2001, e vale ressaltar que das metas que foram traçadas, apenas 15% foram cumpridas.
Dessas 59 emendas, uma, indiscutivelmente, tem maior relevo: 10% do PIB para a educação. Hoje, o Brasil investe 4,5% do PIB no setor. Há dez anos, no período macabro do Fernando Henrique Cardoso, o país investia 3%. O Governo Federal apresentou, no PNE, a proposta de elevar esse investimento para 7% até 2020. É avanço? Sim. É suficiente? Não, porque, na prática, propõe que o país continue avançando a passos lentos. Então, na visão da UNE, é fundamental que o Brasil invista 10% do PIB na educação até 2014, pelo papel estratégico que tem a educação no desenvolvimento do nosso país.
Além dessa discussão, outra sobre financiamento é de suma importância para garantir uma educação de melhor qualidade: a destinação de 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a educação, projeto de autoria do senador Inácio Arruda, do PCdoB-CE, que conta com amplo apoio dos movimentos sociais, e em especial da UNE. Esse projeto de lei já conseguiu importantes vitórias, com aprovações em comissões do Senado.
Para aprovar essas emendas, a UNE tem organizado em cada canto do país diversas atividades, que vão desde atos que colocam milhares de estudantes nas ruas, até redes de debates que trazem à luz o tema, e que ajudam a informar a população sobre o momento importantíssimo que vive o país.
Além disso, as emendas da UNE vão além da discussão sobre financiamento. Propomos, também, a regulamentação do ensino superior privado, a fim de acabar com o desrespeito de instituições financeiras que veem educação como mercadoria; propomos a ampliação de creches nas universidades públicas; inserir laboratório de internet com acesso à banda larga; garantir o ensino de história e cultura afro-brasileiras e africanas, além de Relações Étnico-raciais; fundo nacional de assistência estudantil; adoção de políticas de ação afirmativa para estudantes de escolas públicas; ocupar as vagas ociosas do ensino superior; promover a expansão e a reestruturação das universidades estaduais, a partir de complementação orçamentária do governo federal, de maneira a garantir a formação de profissionais em todas as áreas de conhecimento, em todo o território brasileiro; expandir a oferta de vagas no ensino superior noturno, incluindo, assim, a juventude trabalhadora; ampliar a oferta de vagas em programas de pesquisa e extensão na graduação, fortalecendo o laço entre ensino, pesquisa e extensão; proibir a circulação do capital estrangeiro nas universidades, a fim de garantir a soberania nacional sobre a educação brasileira; estabelecer piso de 1/3 do corpo docente funcionando em regime de dedicação exclusiva, com 40 horas semanais; constituir um marco regulatório acerca da Autonomia Universitária; implementação das ouvidorias; regulação do Ensino Superior À Distância; constituição de pólos regionais de alta tecnologia voltados para a execução de projetos estratégicos; financiamento do Programa Nacional do Passe Estudantil.
Essas são algumas das 59 emendas que o Movimento Estudantil organizado apresentou ao PNE. Aprová-las é garantir uma educação de qualidade para o país e, portanto, um desenvolvimento voltado para as nossas necessidades. É preciso pressionar os órgãos competentes, em constante diálogo com a sociedade, para que cheguemos a mais essa vitória para os brasileiros. O PNE da UNE, não o do Governo, põe o Brasil noutro patamar.
Está em curso, no Congresso Nacional, uma discussão que vem gerando muita polêmica entre Governo e Movimento Estudantil: o Plano Nacional de Educação, o PNE, que estipula as metas e as estratégias para a educação por um período de dez anos. A União Nacional dos Estudantes (UNE), desde sua fundação, protagonizou os principais momentos políticos de nossa história. E agora não é diferente. A UNE, junto com a UBES – que representa os estudantes secundaristas – e a ANPG – que representa os estudantes pós-graduandos – apresentou nada menos que 59 emendas ao PNE, mantendo-se fiel à sua tradição de interferir nesse tipo de debate. O PNE é discutido de dez em dez anos. O último foi em 2001, e vale ressaltar que das metas que foram traçadas, apenas 15% foram cumpridas.
Dessas 59 emendas, uma, indiscutivelmente, tem maior relevo: 10% do PIB para a educação. Hoje, o Brasil investe 4,5% do PIB no setor. Há dez anos, no período macabro do Fernando Henrique Cardoso, o país investia 3%. O Governo Federal apresentou, no PNE, a proposta de elevar esse investimento para 7% até 2020. É avanço? Sim. É suficiente? Não, porque, na prática, propõe que o país continue avançando a passos lentos. Então, na visão da UNE, é fundamental que o Brasil invista 10% do PIB na educação até 2014, pelo papel estratégico que tem a educação no desenvolvimento do nosso país.
Além dessa discussão, outra sobre financiamento é de suma importância para garantir uma educação de melhor qualidade: a destinação de 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a educação, projeto de autoria do senador Inácio Arruda, do PCdoB-CE, que conta com amplo apoio dos movimentos sociais, e em especial da UNE. Esse projeto de lei já conseguiu importantes vitórias, com aprovações em comissões do Senado.
Para aprovar essas emendas, a UNE tem organizado em cada canto do país diversas atividades, que vão desde atos que colocam milhares de estudantes nas ruas, até redes de debates que trazem à luz o tema, e que ajudam a informar a população sobre o momento importantíssimo que vive o país.
Além disso, as emendas da UNE vão além da discussão sobre financiamento. Propomos, também, a regulamentação do ensino superior privado, a fim de acabar com o desrespeito de instituições financeiras que veem educação como mercadoria; propomos a ampliação de creches nas universidades públicas; inserir laboratório de internet com acesso à banda larga; garantir o ensino de história e cultura afro-brasileiras e africanas, além de Relações Étnico-raciais; fundo nacional de assistência estudantil; adoção de políticas de ação afirmativa para estudantes de escolas públicas; ocupar as vagas ociosas do ensino superior; promover a expansão e a reestruturação das universidades estaduais, a partir de complementação orçamentária do governo federal, de maneira a garantir a formação de profissionais em todas as áreas de conhecimento, em todo o território brasileiro; expandir a oferta de vagas no ensino superior noturno, incluindo, assim, a juventude trabalhadora; ampliar a oferta de vagas em programas de pesquisa e extensão na graduação, fortalecendo o laço entre ensino, pesquisa e extensão; proibir a circulação do capital estrangeiro nas universidades, a fim de garantir a soberania nacional sobre a educação brasileira; estabelecer piso de 1/3 do corpo docente funcionando em regime de dedicação exclusiva, com 40 horas semanais; constituir um marco regulatório acerca da Autonomia Universitária; implementação das ouvidorias; regulação do Ensino Superior À Distância; constituição de pólos regionais de alta tecnologia voltados para a execução de projetos estratégicos; financiamento do Programa Nacional do Passe Estudantil.
Essas são algumas das 59 emendas que o Movimento Estudantil organizado apresentou ao PNE. Aprová-las é garantir uma educação de qualidade para o país e, portanto, um desenvolvimento voltado para as nossas necessidades. É preciso pressionar os órgãos competentes, em constante diálogo com a sociedade, para que cheguemos a mais essa vitória para os brasileiros. O PNE da UNE, não o do Governo, põe o Brasil noutro patamar.
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Notas
Um dia desses, uma mulher escreveu um trecho de uma música do Cartola, recortou e me ofereceu. Naquela época, me emocionei com o presente, tão simples e tão querido. Até o guardei. Deveria ter rasgado, como fiz hoje, numa tentativa de dilacerar o passado. Agora, mais experiente e mais calejado, percebo o quanto essa mulher foi inconsequente, e percebo também o entendimento raso que ela tem acerca do amor. A ingenuidade dessa mulher superou todos os limites da compreensão. Ela acreditava que ma amava, e acredita que me amou. Hoje, manda o mesmo trecho pra outra pessoa. Essa mesma maturidade que eu reclamei acima me faz compreendê-la, de coração.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Regimento
Com sua espada de fogo,
Teu amor abriu-me uma senda,
Galopando golpeou a noite,
Amanhecendo o dia nos teus olhos.
Porém ainda a vejo:
A noite coroada pela lua.
Tu, coroada, infinitamente mais
Soberana, por teus olhos onipresentes,
Origem do mundo, pois que da mais pura
Luz nasceram e vivem.
Talvez, deixando meu rastro de sangue
Pelo caminho, o seguiste com o passo do tempo,
Toda de beleza revestida,
Sem clarins ou estandartes,
Arautos ou oferendas:
Vinhas solitária, mas vinhas.
Molhada de lágrimas, mas vinhas.
Partida talvez, mas vinhas.
Repleta de amor ficaste.
Teu amor abriu-me uma senda,
Galopando golpeou a noite,
Amanhecendo o dia nos teus olhos.
Porém ainda a vejo:
A noite coroada pela lua.
Tu, coroada, infinitamente mais
Soberana, por teus olhos onipresentes,
Origem do mundo, pois que da mais pura
Luz nasceram e vivem.
Talvez, deixando meu rastro de sangue
Pelo caminho, o seguiste com o passo do tempo,
Toda de beleza revestida,
Sem clarins ou estandartes,
Arautos ou oferendas:
Vinhas solitária, mas vinhas.
Molhada de lágrimas, mas vinhas.
Partida talvez, mas vinhas.
Repleta de amor ficaste.
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