Da noite sem fim nascerá
Um ponto luminoso no horizonte,
Cuja desembocadura fará germinar,
Em meu coração, o sol que se estabelece
Nas pétalas desta luz que renasce mais forte,
Apenas a lua se torna saudade:
Esta luz, que tanto se assemelha
Ao sol, – entretanto lhe é superior – nada
Poderia ser senão os teus olhos recém-despertos.
sábado, 21 de maio de 2011
sábado, 7 de maio de 2011
O combate imprescindível
De silêncio em silêncio deixei
Florir o meu bramido,
Fiz renascer o momento no qual
O vazio foi soberano,
Combati o vácuo com tudo
De que dispunha, e a poesia
Que evola das coisas constantemente,
Juntei-a às flores de minhas mãos,
E investimos impetuosamente contra
A ausência.
Garimpar as palavras do silêncio
- e também de um poema -
É, de fato, árduo ofício.
As palavras escapam,
Só resta o desejo de escavar
A alma, perscrutar o âmago,
Tornar o momento fértil,
E por meio dele edificar as vozes
Que vão desaguar no coração.
Tudo isto só para dizer, ainda
Uma vez: só o amor, amada, paga a pena
Desta vida.
Florir o meu bramido,
Fiz renascer o momento no qual
O vazio foi soberano,
Combati o vácuo com tudo
De que dispunha, e a poesia
Que evola das coisas constantemente,
Juntei-a às flores de minhas mãos,
E investimos impetuosamente contra
A ausência.
Garimpar as palavras do silêncio
- e também de um poema -
É, de fato, árduo ofício.
As palavras escapam,
Só resta o desejo de escavar
A alma, perscrutar o âmago,
Tornar o momento fértil,
E por meio dele edificar as vozes
Que vão desaguar no coração.
Tudo isto só para dizer, ainda
Uma vez: só o amor, amada, paga a pena
Desta vida.
sábado, 23 de abril de 2011
O amor desmedido
Pequenina mulher, infinita, porém,
Quando me tocas, quando me percorres
O peito, ensina-me o caminho da primavera
Desses olhos,
Dá-me o teu sangue que me leva ao coração,
Dá-me o orgulho de tua brasa nunca dantes
Vista com contemplação, ó amada,
Pois nada sou sozinho,
Tampouco és na multidão da qual
Estou à parte.
Cresces em meu peito,
Porque ganhas as dimensões de meu amor
Tempestuoso e desmesurado.
És tão pequenina quando te afastas,
Não posso ver-te...
No entanto, te ouço, te toco
E te amo sem piedade do meu corpo,
Por suportar, ainda que combalido, a tua ausência.
Gritas por mim, ou é apenas o vento,
Que vem, de chofre, lembrar-me tua voz
Onipresente?
E voltas junto ao vento.
E o vento retorna solitário.
Estás plena novamente, e para sempre.
Quando me tocas, quando me percorres
O peito, ensina-me o caminho da primavera
Desses olhos,
Dá-me o teu sangue que me leva ao coração,
Dá-me o orgulho de tua brasa nunca dantes
Vista com contemplação, ó amada,
Pois nada sou sozinho,
Tampouco és na multidão da qual
Estou à parte.
Cresces em meu peito,
Porque ganhas as dimensões de meu amor
Tempestuoso e desmesurado.
És tão pequenina quando te afastas,
Não posso ver-te...
No entanto, te ouço, te toco
E te amo sem piedade do meu corpo,
Por suportar, ainda que combalido, a tua ausência.
Gritas por mim, ou é apenas o vento,
Que vem, de chofre, lembrar-me tua voz
Onipresente?
E voltas junto ao vento.
E o vento retorna solitário.
Estás plena novamente, e para sempre.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
A Helenira
Helenira,
Não vês que estás sob mira,
Que a morte veloz avança?
Helenira,
Mesmo caída atiras,
Helenira,
Em teu grito há vingança!
Helenira,
Tua ternura e tua ira,
Onde o rio se estira,
São rumores de esperança.
Helenira,
Teu sorriso de bonança,
Teu olhar de confiança,
Helenira...
Eras quase uma criança!
Helenira,
Eu empunho tua bandeira,
Nesta terra brasileira,
Nesse leito onde te estiras.
Helenira,
Minha aguerrida companheira,
Minha terna guerrilheira,
Tu és a flor do Araguaia.
Helenira,
O teu ventre é como praia,
O teu grito é uma fogueira,
Helenira.
Não vês que estás sob mira,
Que a morte veloz avança?
Helenira,
Mesmo caída atiras,
Helenira,
Em teu grito há vingança!
Helenira,
Tua ternura e tua ira,
Onde o rio se estira,
São rumores de esperança.
Helenira,
Teu sorriso de bonança,
Teu olhar de confiança,
Helenira...
Eras quase uma criança!
Helenira,
Eu empunho tua bandeira,
Nesta terra brasileira,
Nesse leito onde te estiras.
Helenira,
Minha aguerrida companheira,
Minha terna guerrilheira,
Tu és a flor do Araguaia.
Helenira,
O teu ventre é como praia,
O teu grito é uma fogueira,
Helenira.
domingo, 3 de abril de 2011
O sol
Surgiu revigorado o sol,
Beijando e acariciando a vida,
No espaço em que deflorara a noite,
Possuindo-a, altaneiro, lentamente.
Vê: este sol não é o de ontem,
Há nele uma nova espécie de luz,
Um sêmen que doura, que floresce
E que encanta; tampouco será
O sol do possível amanhã,
Pálido, de outrora; doravante
Será um sol apaixonado,
Derramando,
Gota
A gota,
A sua ternura.
Seguir-se-ão os dias, e o sol se manterá
Primaveril, molhado ainda pelo esperma
Da derradeira noite solitária.
Beijando e acariciando a vida,
No espaço em que deflorara a noite,
Possuindo-a, altaneiro, lentamente.
Vê: este sol não é o de ontem,
Há nele uma nova espécie de luz,
Um sêmen que doura, que floresce
E que encanta; tampouco será
O sol do possível amanhã,
Pálido, de outrora; doravante
Será um sol apaixonado,
Derramando,
Gota
A gota,
A sua ternura.
Seguir-se-ão os dias, e o sol se manterá
Primaveril, molhado ainda pelo esperma
Da derradeira noite solitária.
quarta-feira, 30 de março de 2011
A manhã
Amor, famélico vou regendo a aurora,
Tecendo alvoradas com dedos indômitos,
Emancipando dores funestas, as quais
Fenecem em teu sorriso, em cuja força
Amanhece meu desejo.
Amor, sol reinante floresce nos teus beijos,
E no infinito, abruptamente, ressoa meu amor desmedido,
No infinito, miseravelmente, algo cresce e se desfaz,
No infinito, renasce algo ainda mais forte,
E então saio das cinzas como a fênix,
Levando-te nos braços, ou talvez na memória.
Beija-me, antes que o crepúsculo principie
E tu me vejas envolto em pesadelo e trevas.
Beija-me urgentemente, pois o resplendor
Matutino já se desvanece em prantos.
Tecendo alvoradas com dedos indômitos,
Emancipando dores funestas, as quais
Fenecem em teu sorriso, em cuja força
Amanhece meu desejo.
Amor, sol reinante floresce nos teus beijos,
E no infinito, abruptamente, ressoa meu amor desmedido,
No infinito, miseravelmente, algo cresce e se desfaz,
No infinito, renasce algo ainda mais forte,
E então saio das cinzas como a fênix,
Levando-te nos braços, ou talvez na memória.
Beija-me, antes que o crepúsculo principie
E tu me vejas envolto em pesadelo e trevas.
Beija-me urgentemente, pois o resplendor
Matutino já se desvanece em prantos.
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